quinta-feira, 2 de junho de 2016

(sagitário no espelho é ruim)


POR MINHA HAMARTIA, MINHA TÃO GRANDE HAMARTIA (ou: em tempo de cego, quem tem boca ouça!)

Perdidas palavras percorreram minha boca.
Porcos profanaram pisadas pérolas.
Punhos hostis predisseram pancadas.
Espíritos impuros lançaram punhais.

Pedras despedacem meus olhos,
Perfurem meus pulsos,
Dispam minha língua,
Quando palavra inútil proferida for.

Quando serpente arfar, pobre, em podres paredes,
Opte, palavra minha, por não perder-se.
Não sepulte no oco o que pode silêncio ser,
Não há compreensão quando baixeza humana se faz manada.



Émerson Cardoso
09/05/2016

Poema selecionado para a Antologia da 6ª Mostra Abril para Leitura do Centro Cultural Bando do Nordeste - CCBNB - Cariri. 

domingo, 14 de fevereiro de 2016

POEMA ENCOMIÁSTICO PARA SUSAN BOYLE


Quando cantaste, meu Deus,
Foi por todos nós que tu nasceste!

Tua grandeza foi espargida no mundo,
Quando cantaste...

Quando chegaste pequena, na imensidão do mundo,
Não esperavam que tivesses tanto...

Pregaste uma peça, 
E os que te julgavam arrependeram-se.

Reivindicaste, voz eólica de raros fulgores,
Teu espaço no universo carente de ti...

Sonho acordado viveste, 
Fizeste rir tua mãe e teu pai orgulhar-se. 

E agora, estrela fulgente, 
Que lembrada sejas para sempre...

Precisamos de ti para mostrar ao mundo
Que nós, os pequenos, temos muito a concretizar!

Émerson Cardoso
14/02/16


ODE AO QUE É NADA

Paisagem luzente
De verdor e paz
Distante convida
A deleites mil...

Ao aproximarmos
Nossos pés do verde:
Escorpiões correm,
Víboras rastejam...

O que era belo
Deixa de ser paz
E instiga distância
E fomenta angústias.

Émerson Cardoso
14/02/16

APOLOGIA AO DIA DE AMANHÃ

“Sempre que os ventos forem favoráveis / E houver um transporte disponível, não dorme;  / Quero ter notícias tuas".           
                                       (Shakespeare, em Hamlet)                                                                                                   
  

Hoje choveu tanta mágoa!
Pesadas nuvens caíram...
Amanhã cairão sorrisos
Sobre ti, amiga minha!

Ontem choveu tanta ausência!
Nuvens de prata irromperam...
Amanhã sorrisos amplos
Molharão tua face triste!

Amanhã, tenha esperança,
Verdes serão teus caminhos!
Teus olhos a refleti-los,
Farão poças de alegria!

Hoje a noite vem de dia
Em tuas pálpebras cansadas,
E sem luz está o aquário,
Mas o sol virá em breve!

Hoje choveu um temor
Deixando a vida sem graça,
Ontem foi noite sem sono,
Amanhã, porém, riremos!

Sobre ti, amiga minha,
A paz choverá indômita
E teus olhos se erguerão
Renovados para a luta!

[Émerson Cardoso]
23/01/2016



sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

A HAMARTIA DE EROS


Não nasci ao lado do ser espiritual
Que, nesta vida, me seria complemento e afeto.
O amor não se fez carne,
Nem habitou em mim.
O amor ficou no verbo 
Que não conjugarei jamais.
Adeus, meu amor que não nasceu!
Espera-me, não me demoro! Adeus! 

Émerson Cardoso
11/12/2015


MEUS DESLOCAMENTOS


Não, mundo, não o suporto:
Nasci com saudade do que é mistério
E se não fujo de ti com rancor e fúria
É porque a desvida já me será um dia.

Tudo me agride e assusta e me convida à fuga.
Sobrevivê-lo, mundo, será minha rebeldia.
Quem me redimirá de conhecer tuas misérias?

Émerson Cardoso
11/12/2015