sábado, 15 de outubro de 2016

ODE PARA O QUE NÃO É ABRIGO

Quando o tempo tritura meus olhos sem força,
tenho medo...

Mas quem tem medo olha a si mesmo em poças de chuva
para constatar fugacidades nos cílios?

O tempo sepulta existências em tirânicas datas,
tentando me amedrontar...

Ele me atinge (dos-covardes-sou-a-maior-vítima!)
e sabe rir dos frágeis com desdém e fel!

Quem tem medo olha a si mesmo em palavra estreita
que se pretende poema e nada mais é do que susto?

O tempo olhou-me com seu cinismo,
O medo embalou-me com sua morbidez
E eu os olhos baixei para fitar a mim mesmo no áspero do chão,
Que é abrigo para os que almejam um dia rebelar-se!

Émerson Cardoso

19/02/16

RÉQUIEM PARA LUZIA

Eita, Luzia, parece que foi ontem
Que apertamos as mãos em despedida!
Que feliz conhecê-la nesta vida,
Vida que tende a ser pouco amigável!

Tu foste um ser humano tão amável!
Tantas vezes agiste por bondade
Quando isto em alguém é raridade:
E foste abrigo, afeto e acolhimento!

Foi de Deus caro presente, Luzia,
Tê-la encontrado em venturoso dia
E poder contar com sua amizade...

Qualquer lágrima que corra por ti,
É lembrança de que a vejo sorrir
Em minha mente plena de saudade!

Émerson Cardoso
13/06/16

quinta-feira, 2 de junho de 2016

LAMENTO SECULAR (ou revolta da mosca insana a quem Antoine Roquentin ofertou mortalha)

Antoine Roquentin,
Não fustigues o corpo
De existência perecível
Que me deram por herança!

Que direito tens
De me doares morte
Se o preço a pagar
É inexistir somente?

Não quero mortalha,
Antoine, não quero morte.

Só quero a aleluia,
Some of these days you'll be sorry!

Émerson Cardoso
02/06/2016





(sagitário no espelho é ruim)


POR MINHA HAMARTIA, MINHA TÃO GRANDE HAMARTIA (ou: em tempo de cego, quem tem boca ouça!)

Perdidas palavras percorreram minha boca.
Porcos profanaram pisadas pérolas.
Punhos hostis predisseram pancadas.
Espíritos impuros lançaram punhais.

Pedras despedacem meus olhos,
Perfurem meus pulsos,
Dispam minha língua,
Quando palavra inútil proferida for.

Quando serpente arfar, pobre, em podres paredes,
Opte, palavra minha, por não perder-se.
Não sepulte no oco o que pode silêncio ser,
Não há compreensão quando baixeza humana se faz manada.



Émerson Cardoso
09/05/2016

Poema selecionado para a Antologia da 6ª Mostra Abril para Leitura do Centro Cultural Bando do Nordeste - CCBNB - Cariri. 

domingo, 14 de fevereiro de 2016

POEMA ENCOMIÁSTICO PARA SUSAN BOYLE


Quando cantaste, meu Deus,
Foi por todos nós que tu nasceste!

Tua grandeza foi espargida no mundo,
Quando cantaste...

Quando chegaste pequena, na imensidão do mundo,
Não esperavam que tivesses tanto...

Pregaste uma peça, 
E os que te julgavam arrependeram-se.

Reivindicaste, voz eólica de raros fulgores,
Teu espaço no universo carente de ti...

Sonho acordado viveste, 
Fizeste rir tua mãe e teu pai orgulhar-se. 

E agora, estrela fulgente, 
Que lembrada sejas para sempre...

Precisamos de ti para mostrar ao mundo
Que nós, os pequenos, temos muito a concretizar!

Émerson Cardoso
14/02/16


ODE AO QUE É NADA

Paisagem luzente
De verdor e paz
Distante convida
A deleites mil...

Ao aproximarmos
Nossos pés do verde:
Escorpiões correm,
Víboras rastejam...

O que era belo
Deixa de ser paz
E instiga distância
E fomenta angústias.

Émerson Cardoso
14/02/16