quarta-feira, 25 de junho de 2014

ODE À ANA LUIZA CRISPIM


Quando acordei,
Sobre mim caiu um verso:
Papel corado que o vento abraça...

Brincando séria de fazer poema
Imagens dançam sob criativa marcha
Palavras nascem, crescem, reproduzem-se...

Vidrinhos frágeis contra pontiagudas pedras,
Facas que lambem dos olhos o branco, 
Colorido ácido que a pele fere com perfurantes dentes:

Eis a poesia - da que séria brinca.
Resguardados estão, seus versos, em coerentes muros:  
Força-frágil, janela-que-frestas-abre, significativas palavras... 

Agora, resta absorver o que virá
Da alma sobressalente da poetisa:
Leveza e cor, café à tarde, ironia e sombra? 

Poemas podem ser cortantes, 
Mas cicatrizantes também quando sussurram
Fugindo loucos do senso comum que nos espreita...

Tu és, merece que se diga: 
(Além da inteligência explicitada)
Uma sóbria, densa e exímia poetisa.

(Émerson Cardoso)
25/06/14






domingo, 22 de junho de 2014

HAIKAI DE UM DIA TRISTE

Quando se está triste
E o silêncio repercute
A janela nos convida...

AUSÊNCIA

Quando os olhos ardem na ausência dos que estimamos
O silêncio se impõe como brasa que atinge os lábios
Gritar como, se dói a ferida da boca?


terça-feira, 6 de maio de 2014

...

HAIKAI PARA MINHAS INDECISÕES

Cachorro correndo louco
Que alcança o que caça
E não sabe o que fazer

(Émerson Cardoso)
23/05/14

FOTOGRAFIA

Foto: Erika Dias

Somos vítimas de irrepetíveis cenas.
Fotografar torna-se, portanto, uma tentativa
De resguardar, da cena,
Um pouco do nós que já não somos.

Tão intrigante é a fotografia
Que me arrisco a dizer:
Sua imagem estática é o medo do não-mais
Que nós temos pavor de vislumbrar.

Congelados os momentos,
Resta-nos a ilusão de revivê-los.
Num olhar sempre nostálgico
Desejamos, insubmissos, revisitá-los.

Mas a fotografia,
Tragédia e sombra,
Ri de nós que a contemplamos.

Tão densa é que sequer nos esforçamos
Para entender dela suas implicações.

Tenho medo do que ela pode ocultar:
Silêncio e grito ou saudade e dor

Nunca felicidade dela tiraremos:
Fotografia é sempre o-não-mais que ri de nós...

(Émerson Cardoso)

terça-feira, 8 de abril de 2014

À ESPERA DE UM TRANSPORTE...

No mar de asfalto minha pele
Arde sob um sol de mil lâminas
Aguardo, arfante, 
O navio enumerado que me transportará...

Trabalhadores desolados,
Estudantes resistentes,
Turistas iludidos,
Quanto horror perante os céus!

Que o meu navio não demore
Não demore - peço a Deus
Acometem-me fome e neuroses de guerra
Quero um abrigo, meu Deus, meu Deus!

12/ 04/14