quarta-feira, 28 de dezembro de 2016
terça-feira, 27 de dezembro de 2016
TRAVESSIA (OU ODE PARA TORTUOSO CAMINHO)
Caminho de longos dentes,
Desejas roer meus passos?
Almejas moer meus pés,
Anseias que eu fira as pernas?
Queres qu’eu fique cansado?
Planejas a minha queda?
Projetas abismo e dor?
Cada pedra que me impede
Aprofunda a pretensão
De chegar ao meu destino.
Sinto apenas que não sei
Se limpo os sapatos sujos,
Ou se prossigo descalço.
Enquanto isso, passeio
Com passos sempre apressados
E punhais no coração.
Émerson Cardoso
27/12/2016
segunda-feira, 19 de dezembro de 2016
domingo, 27 de novembro de 2016
ODE PARA CHUVA SEM CAVALO
Cavalo
que tirei da chuva,
Mastigarei
resignação
E
engolirei dor e distâncias.
Todas
as nuvens choramingam
Enquanto
o sol resseca o lábio
E
xilograva ocaso e vento.
Enquanto
a solidão ressona
Amortalhada
ao meu redor,
O
estio perfura minhas mãos.
Cavalo
tirado da chuva,
Por
sendas amargas irei
Furando
facas com os olhos.
Émerson
Cardoso
27/11/2016
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
DOGVILLE (minha versão)
Alicerce, portas, paredes não-mais.
Homens prosseguem abrindo úlceras.
Mulheres revolvem peles com dedos apodrecidos.
Cacos de vidros raspam ossos.
Intransigentes pregos martelados nas unhas.
O baixar dos olhos em cada cuspida.
Desfile fraterno em tapete de hostilidades.
Sangue e água na refeição dos homens.
Silêncio apenas – porque guardado o grito.
Qualquer nota exibiria
Meu desejo de engolir músculos cardíacos.
No chão, meus pés vazios trazem dentes afiados.
Émerson Cardoso
24/09/2016
UMA (NÃO) PRECE À LUA
Lua
de mortalha aberta em riso amargo,
Que
esperas de mim:
Que
eu te implore do amor cruentas fráguas
E humilde
aceite o sepulcro aceso que me queres dar?
Escorpiões
me espreitam em tuas sendas, Lua,
Mas
pele não tenho para urticante agrado.
Quero
silêncio em meus pés compungidos
E solidão
em meus cadentes olhos...
Amor?
Não, Lua, não creio, não devo, não careço!
Perfurado,
o peito aspira pouco
E por
estar sozinho não perderei a paz!
Émerson
Cardoso
07/11/16
sábado, 15 de outubro de 2016
PERFIL VIRTUAL DA MOÇA QUE DESAPAIXONOU (ou ode à desistência mais-que-necessária)
Epístolas whatsAppianas
Notas espargidas inbox
E-mails infindos a resvalar soturnos
Torpedos exaustivos a desejar encontros...
Não mais, paixão-nascida,
Não mais, porque não posso
Existir em nome do que não-é!
Excluí seu número
Apaguei suas selfies
Desfiz no face nossa abstrata relação...
E o sistema solar, pasme, não se deslocou:
A gravidade ainda alinha planetas e seus satélites!
O que deixou de ser, paixão-profunda,
Foi a necessidade de concretização que eu fantasiava.
Racionalizei o que sentia e,
Tão certo quanto o que é virtual nos cansa,
Deixei de verificar mensagens com suas autocorreções infames.
Não mais, virtual-cavalheiro!
Não mais, porque mulher precisa de amor que exista
E qualquer pessoa cansa do que não é concreto!
Notas espargidas inbox
E-mails infindos a resvalar soturnos
Torpedos exaustivos a desejar encontros...
Não mais, paixão-nascida,
Não mais, porque não posso
Existir em nome do que não-é!
Excluí seu número
Apaguei suas selfies
Desfiz no face nossa abstrata relação...
E o sistema solar, pasme, não se deslocou:
A gravidade ainda alinha planetas e seus satélites!
O que deixou de ser, paixão-profunda,
Foi a necessidade de concretização que eu fantasiava.
Racionalizei o que sentia e,
Tão certo quanto o que é virtual nos cansa,
Deixei de verificar mensagens com suas autocorreções infames.
Não mais, virtual-cavalheiro!
Não mais, porque mulher precisa de amor que exista
E qualquer pessoa cansa do que não é concreto!
15/10/2016
Assinar:
Postagens (Atom)





