segunda-feira, 19 de dezembro de 2016
domingo, 27 de novembro de 2016
ODE PARA CHUVA SEM CAVALO
Cavalo
que tirei da chuva,
Mastigarei
resignação
E
engolirei dor e distâncias.
Todas
as nuvens choramingam
Enquanto
o sol resseca o lábio
E
xilograva ocaso e vento.
Enquanto
a solidão ressona
Amortalhada
ao meu redor,
O
estio perfura minhas mãos.
Cavalo
tirado da chuva,
Por
sendas amargas irei
Furando
facas com os olhos.
Émerson
Cardoso
27/11/2016
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
DOGVILLE (minha versão)
Alicerce, portas, paredes não-mais.
Homens prosseguem abrindo úlceras.
Mulheres revolvem peles com dedos apodrecidos.
Cacos de vidros raspam ossos.
Intransigentes pregos martelados nas unhas.
O baixar dos olhos em cada cuspida.
Desfile fraterno em tapete de hostilidades.
Sangue e água na refeição dos homens.
Silêncio apenas – porque guardado o grito.
Qualquer nota exibiria
Meu desejo de engolir músculos cardíacos.
No chão, meus pés vazios trazem dentes afiados.
Émerson Cardoso
24/09/2016
UMA (NÃO) PRECE À LUA
Lua
de mortalha aberta em riso amargo,
Que
esperas de mim:
Que
eu te implore do amor cruentas fráguas
E humilde
aceite o sepulcro aceso que me queres dar?
Escorpiões
me espreitam em tuas sendas, Lua,
Mas
pele não tenho para urticante agrado.
Quero
silêncio em meus pés compungidos
E solidão
em meus cadentes olhos...
Amor?
Não, Lua, não creio, não devo, não careço!
Perfurado,
o peito aspira pouco
E por
estar sozinho não perderei a paz!
Émerson
Cardoso
07/11/16
sábado, 15 de outubro de 2016
PERFIL VIRTUAL DA MOÇA QUE DESAPAIXONOU (ou ode à desistência mais-que-necessária)
Epístolas whatsAppianas
Notas espargidas inbox
E-mails infindos a resvalar soturnos
Torpedos exaustivos a desejar encontros...
Não mais, paixão-nascida,
Não mais, porque não posso
Existir em nome do que não-é!
Excluí seu número
Apaguei suas selfies
Desfiz no face nossa abstrata relação...
E o sistema solar, pasme, não se deslocou:
A gravidade ainda alinha planetas e seus satélites!
O que deixou de ser, paixão-profunda,
Foi a necessidade de concretização que eu fantasiava.
Racionalizei o que sentia e,
Tão certo quanto o que é virtual nos cansa,
Deixei de verificar mensagens com suas autocorreções infames.
Não mais, virtual-cavalheiro!
Não mais, porque mulher precisa de amor que exista
E qualquer pessoa cansa do que não é concreto!
Notas espargidas inbox
E-mails infindos a resvalar soturnos
Torpedos exaustivos a desejar encontros...
Não mais, paixão-nascida,
Não mais, porque não posso
Existir em nome do que não-é!
Excluí seu número
Apaguei suas selfies
Desfiz no face nossa abstrata relação...
E o sistema solar, pasme, não se deslocou:
A gravidade ainda alinha planetas e seus satélites!
O que deixou de ser, paixão-profunda,
Foi a necessidade de concretização que eu fantasiava.
Racionalizei o que sentia e,
Tão certo quanto o que é virtual nos cansa,
Deixei de verificar mensagens com suas autocorreções infames.
Não mais, virtual-cavalheiro!
Não mais, porque mulher precisa de amor que exista
E qualquer pessoa cansa do que não é concreto!
15/10/2016
ODE PARA O QUE NÃO É ABRIGO
Quando o tempo tritura meus olhos sem força,
tenho medo...
Mas quem tem medo olha a si mesmo em poças de chuva
para constatar fugacidades nos cílios?
O tempo sepulta existências em tirânicas datas,
tentando me amedrontar...
Ele me atinge (dos-covardes-sou-a-maior-vítima!)
e sabe rir dos frágeis com desdém e fel!
Quem tem medo olha a si mesmo em palavra estreita
que se pretende poema e nada mais é do que susto?
O tempo olhou-me com seu cinismo,
O medo embalou-me com sua morbidez
E eu os olhos baixei para fitar a mim mesmo no áspero do chão,
Que é abrigo para os que almejam um dia rebelar-se!
Émerson Cardoso
19/02/16
RÉQUIEM PARA LUZIA
Eita, Luzia, parece que foi ontem
Que apertamos as mãos em despedida!
Que feliz conhecê-la nesta vida,
Vida que tende a ser pouco amigável!
Tu foste um ser humano tão amável!
Tantas vezes agiste por bondade
Quando isto em alguém é raridade:
E foste abrigo, afeto e acolhimento!
Foi de Deus caro presente, Luzia,
Tê-la encontrado em venturoso dia
E poder contar com sua amizade...
Qualquer lágrima que corra por ti,
É lembrança de que a vejo sorrir
Em minha mente plena de saudade!
Émerson Cardoso
13/06/16
13/06/16
Assinar:
Postagens (Atom)



